Símbolo da discórdia ou simplesmente acessório de moda?

Os nomes oficiais são vários: keffiyeh, kufiyah, shemagh, yashmag, ghutra. Os lenços palestinos e árabes têm o formato de um quadrado, são feitos de algodão e podem ser amarrados de várias maneiras. Originalmente, foram feitos como forma de proteção contra poeira e exposição solar.

 

 

Inicialmente um artigo utilitário – tanto que chegou a ser usado por tropas inglesas e americanas quando em combate no solo árabe – , o keffiyeh adquiriu conotações políticas que o fazem ser visto como sinal de solidariedade com a causa palestina, ícone pró-militarismo ou até como símbolo do anti-semitismo. Neste blog você pode acompanhar uma linha do tempo do uso do keffiyeh.

Eles eram usados por não-árabes desde os anos 60 e 70 por pessoas, geralmente de esquerda, a favor da emancipação da Palestina. A própria maneira de usá-lo, enrolado no pescoço e formando um triângulo, remete à bandeira palestina. Esse ainda é o motivo político pelo qual ele é usado, exceto que agora o que tá pegando é outra coisa: usar pela moda. 

Balenciaga considerou os lenços árabes um must-have para o outono de 2007

A onda foi reiniciada em 2006, quando o Urban Outfitters, um site suuuperdescolado, começou a divulgá-los, vendendo-os sobre o rótulo “anti-guerra”. Depois de alguns protestos de pessoas de ascendência judaica nos Estados Unidos, o site parou de vendê-los, desculpando-se por eventuais ofensas. Isso mostra que mesmo o usar pelo usar, sem maiores pretensões, não está dissociado de conotações políticas.

Aos poucos, a moda tomava as ruas e elevava os preços do artefato. Não demorou muito até surgirem críticas acerca do aspecto puramente mercantil que o lenço estava tomando.  

Agora, o keffiyeh vem em diversas cores

Muito tênue é a linha entre o usar pela moda e o usar pela política. O mero “uso fashion” tem significado político. No mínimo, a polêmica incita algum aprendizado sobre a questão. A discussão não é fácil e continua.

Extra-oficialmente, os branco e preto são usados por simpatizantes do Fatah, partido de Yasser Arafat. O vermelho, cor símbolo do movimento comunista e de esquerda, estampa os keffiyehs dos membros do Organização para a Libertação da Palestina (OLP, ou PLO em inglês), adquirindo caracteres populares e ligados aos trabalhadores. Os verdes são símbolo de integrantes do Hamas, partido político guerrilheiro que luta contra Israel e pela formação do Estado palestino. O Hamas está na lista de organizações terroristas de alguns países, como Estados Unidos, Israel e Canadá. Essa tipologia não é totalmente aceita pelos palestinos, sendo que usar uma ou outra cor não necessariamente quer dizer que aquele que a usa está ligado a um ou outro grupo político.

Yasser estava lançando moda e não sabia

Não há como negar a utilidade do item, que é quase um curinga – um look mais básico fica atualizado e interessante com ele. Além disso, tanto homens quanto mulheres podem usá-lo e é muito versátil: fica bom debaixo da gola, em cima, com camisetas de manga ou sem. A desvantagem é que não é lá muito confortável em dias quentes, e você sempre corre o risco de ser perguntado: “Ah, e você sabe o que quer dizer, sabe?”.