Em Relíquias e Ruínas, onze fotógrafos registram paisagens do patrimônio cultural da humanidade. O título traduz bem a sensação que se tem ao contemplar as imagens: mesmo estando em ruínas – e porque estão em ruínas – os materiais registrados são de um valor inestimável – relíquias.

Taipei, Mauro Restiffe

O SESC Avenida Paulista abriga a mostra até 13 de junho, dividida entre os pisos térreo, onde os transeuntes conseguem ver algumas das fotografias da rua, e quarto. São 31 fotografias agrupadas em seis conjuntos. No mínimo, essa divisão entre os andares serve para capturar, como numa vitrine, a curiosidade dos milhares de ocupados que transitam pela avenida todos os dias – e, devo admitir, funcionou comigo.

Machu Picchu, no Peru, por Hans-Christian Schink

Instalações sonoras ao longo da área da exposição chamam a atenção, tocando poemas e textos recitados. Apesar de estarem um pouco deslocados do contexto geral da exposição, ajudam a reproduzir o clima dos lugares fotografados.

Teatro Heredia IV, em Cartagena das índias, por Caio Reisewitz

A exposição é muito bacana porque tira da banalidade cenas e construções que talvez não percebêssemos normalmente. Os cenários não são decadentes, contém uma beleza não convencional e um tanto difícil de perceber.

Dá pra refletir um bocado sobre o porquê de alguns lugares suscitarem outros significados e serem considerados belos, enquanto tantos outros que estão tão “arruinados” quanto não são motivo de exposições. A mostra é também ponto de partida de muitas reflexões sobre a necessidade de preservar o patrimônio histórico.

Relíquias e Ruínas
terça a sexta, das 11h às 21h
sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
SESC Avenida Paulista
Av. Paulista, 119 – Paraíso
(11) 31793700
www.sescsp.org.br

 

Há 14 anos, a Vanity Fair dedica uma de suas edições ao fantástico mundo de Hollywood. Em 2008, Fevereiro foi o mês para a cidade do cinema seu momento nas páginas da revista.
A edição é imperdivel e quase faz você realmente querer gastar quase 15 reais sem dor no bolso e no coração, especialmente por conta do ensaio fotográfico principal. Tema? Ladies an Gentlemen, Alfred Hitchcock!
Diversas estrelas de Hollywood como Charlize Theron e Marion Cotillard, ganhadora do oscar de melhor atriz em “Piaf”, toparam reencenar as mais célebres cena do terror macabro do SR.H para as lentes para os principais fotógrafos da revista. Resultado? Melhor impossivel.

Charlize Theron, em “Disque M para Matar”

 

Jodie Foster em ” Os pássaros”

 

Marion Cotillard, em “Psicose”

São 11 fotos de diferentes filmes e no site da revista você pode conferir os cliques atuais e os stills que deram origem a estes. Jim Windolf fornece uma visão primorosa dos bastidores do ensaio ( em inglês)em homenagem ao mestre do terror, que também é imperdível. E pra quem gosta de conferir o making off, o site também disponibiliza o video das seções de fotos. Gaste uma parte do seu tempo  e alguns bits da sua conexão e confira.

“É impossível passar os olhos por qualquer jornal, de qualquer dia, mês ou ano, sem descobrir em todas as linhas os traços mais pavorosos da perversidade humana […] Qualquer jornal, da primeira à última linha, nada mais é do que um tecido de horrores. Guerras, crimes, roubos, linchamentos, torturas, as façanhas malignas dos príncipes, das nações, de indivíduos particulares; uma orgia de atrocidade universal. E é com este aperitivo abominável que o homem civilizado rega o seu repasto matinal”. (Baudelaire, 1860).

 

Se Baudelaire estava certo em 1860, o que dizer de hoje? Atrocidades cobrem as páginas de jornais e revistas e, nós, meros leitores passamos, muitas vezes, quase insensíveis diante da dor dos outros. Somos bombardeados todos os dias por imagens aterrorizantes de guerras e conflitos pelo mundo. No livro Diante da dor dos outros (2003),  a ensaísta norte-americana, Susan Sontag traça a evolução desse tipo de iconografia, analisando  o nível de aceitação dos horrores das imagens em relação com o subjetivismo de cada um.

O livro retoma pinturas de Goya, imagens a Guerra Civil Americana, da I Guerra Mundial, da Guerra Civil Espanhola, dos campos de concentração nazistas, da Guerra do Vietnã, até chegar às imagens do dia 11 de setembro.  Diante da dor dos outros analisa as dores da humanidade a partir da apreciação banalizada de cenas de sofrimento alheio. O livro apresenta um diagnóstico não das imagens, mas do efeito que elas causam. Discurso sempre pertinente, sejamos francos.

Cássio Vasconcellos

Cristo Redentor, por Cássio Vasconcellos

Uma imagem positiva do futuro é a variável mais importante e dinâmica para se compreender a evolução de uma cultura. Enquanto as imagens da sociedade forem férteis, o florescimento daquela cultura está em pleno vigor. Quando as imagens da sociedade começarem a decair e perder sua vitalidade, esta cultura não sobreviverá por muito tempo”.

É com essa frase do sociólogo Fred Polak que o projeto Imagens da Paz define o seu objetivo – promover valores de paz, ética, dignidade e amizade por meio de imagens. O banco de dados online tem acesso gratuito e aberto a todos, inclusive a fotógrafos amadores que quiserem publicas as suas próprias imagens.

Eduardo Barcellos

 Criança desenhando na areia, por Eduardo Barcellos

O projeto, idealizado pelo fotógrafo Eduardo Barcellos em 2002 mas lançado só agora, é inspirado em uma iniciativa americana, Images and Voices of Hope. Com o lema “um olhar positivo sobre o mundo”, o Imagens da Paz conta com o apoio de diversas ONGs ligadas à Organização das Nações Unidas.