Em Relíquias e Ruínas, onze fotógrafos registram paisagens do patrimônio cultural da humanidade. O título traduz bem a sensação que se tem ao contemplar as imagens: mesmo estando em ruínas – e porque estão em ruínas – os materiais registrados são de um valor inestimável – relíquias.

Taipei, Mauro Restiffe

O SESC Avenida Paulista abriga a mostra até 13 de junho, dividida entre os pisos térreo, onde os transeuntes conseguem ver algumas das fotografias da rua, e quarto. São 31 fotografias agrupadas em seis conjuntos. No mínimo, essa divisão entre os andares serve para capturar, como numa vitrine, a curiosidade dos milhares de ocupados que transitam pela avenida todos os dias – e, devo admitir, funcionou comigo.

Machu Picchu, no Peru, por Hans-Christian Schink

Instalações sonoras ao longo da área da exposição chamam a atenção, tocando poemas e textos recitados. Apesar de estarem um pouco deslocados do contexto geral da exposição, ajudam a reproduzir o clima dos lugares fotografados.

Teatro Heredia IV, em Cartagena das índias, por Caio Reisewitz

A exposição é muito bacana porque tira da banalidade cenas e construções que talvez não percebêssemos normalmente. Os cenários não são decadentes, contém uma beleza não convencional e um tanto difícil de perceber.

Dá pra refletir um bocado sobre o porquê de alguns lugares suscitarem outros significados e serem considerados belos, enquanto tantos outros que estão tão “arruinados” quanto não são motivo de exposições. A mostra é também ponto de partida de muitas reflexões sobre a necessidade de preservar o patrimônio histórico.

Relíquias e Ruínas
terça a sexta, das 11h às 21h
sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
SESC Avenida Paulista
Av. Paulista, 119 – Paraíso
(11) 31793700
www.sescsp.org.br

A exposição Arte Cinética América Latina estará na Galeria Bergamin até 14 de junho. Nela expõem Jesus Soto, Cruz-Diez, Palatnik, Ubi Bava, Le Parc, Gregorio Vardanega, Garcia Rossi, Martha Boto, León Ferrari, Danilo di Prete e Francisco Sobrino. Os onze artistas vêm da Argentina, Brasil, Espanha, Itália e Venezuela, conectados pelas raízes latinas. São 30 obras feitas com os mais diversos materiais: aço, ferro, óleo,  espelhos, fios de nylon, fibra de vidro, alumínio, madeira, acrílico e lâmpadas.

Petit Citrón, de Jesús Soto, é feita de madeira, nylon e fibra de vidro

É interessante averiguar a criatividade inusitada dos artistas. Eles brincam com luzes, efeitos e materiais, causando ilusões incríveis no espectador. As formas mais simples podem ser usadas para os mais inesperados fins.

Música, de León Ferrari, é uma escultura em ferro

Atenção para Forme en Contorsion, do argentino Le Parc, que usa molas para mover uma fita de metal, causando um estranhamento delicado e sutil a quem a observar. O Cubo Virtual de Jesus Soto, da Venezuela, é a maior obra em exposição, com mais de dois metros, na qual o artista dispõe paralelamente fios de nylon, causando uma ilusão ótica.

Essa esfera em acrílico foi feita por Gregorio Vardanega (sem título)

A arte cinética, ou cinetismo, foi reconhecida na França na década de 50. Concebe o “movimento” como a arte em si. O artista cinético explora possíveis transformações na obra – seja na luz, nas cores e formas ou uma transformação propriamente cinética – , conseguindo diversos e irreverentes efeitos pela combinação dos elementos. Partes isoladas podem não significar nada, mas quando são combinadas adquirem novas formatações. O cinetismo põe por terra a noção da obra de arte como algo estático e imóvel, abarcando ainda mais e maiores possibilidades artísticas. O artista pode agora integrar-se e expressar-se no movimento, vivenciando-o e influenciando-o.

A Galeria Bergamin é um espaço relativamente pequeno, mas muito aconchegante e receptivo.

Arte Cinética América Latina
12 de maio a 14 de junho
Galeria Bergamin
Rua Rio Preto, 63 – Cerqueira César – tel. 30622333 
Segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábado, das 11h às 15h
Entrada gratuita

 

Eu acredito, sim, que existem diversas formas de se expressar artisticamente. Não acho que é arte apenas a pintura enquadrada. Vejo muita arte no dadaísmo de Duchamp, nos Parangolés de Hélio Oiticica, nas fotos de Sebastião Salgado. Mas também acho que para tudo tem limite.

É por acreditar que mesmo a arte deve ter limites que me revoltei quando soube da exposição do costa-riquenho Guillermo Vargas Habacuc, que deixou um cão morrer de fome e sede numa exposição. Revolto-me ainda mais agora ao saber que esse “artista”quer repetir sua façanha na próxima Bienal de Artes Centroamericana Honduras 2008.

Não digo que me revolto por achar que a morte não possa ser tema para arte. Morrer, como tudo aquilo que é natural (e também sobrenatural) pode, sim, ser expressado artisticamente. Porém há formas e formas. Deixar um animal morrer gradualmente num exposição, para que todos vejam seu sofrimento, para mim possui outro nome: impassividade.

 Muitos podem dizer que louco mesmo é o artista alemão Gregor Schneider, que quer encontrar um doente terminal que esteja disposto a morrer publicamente em uma exposição. Também concordo que uma pessoa assim não é normal, e acharia repugnante que deixassem que um ser-humano morresse assim, aos olhos de todos. Mas acredito que entre Gregor e Guilhermo há uma diferença: se Gregor conseguir essa façanha, é porque, em tese, algum doente aceitou. Existe aí o livre-arbítrio. Agora os cachorros que Guilhermo Vargas quer deixar morrendo em suas “obras de arte” não tiveram escolha.

 Assim, coloco-me no direito de deixar, nesse blog, o endereço para que as pessoas assinem a petição online que pede que Guillermo Vargas não repita o mesmo ato e deixe outro cão morrer publicamente. Não sei se conseguiremos. Mas, pelo menos, fica assim registrada a revolta de milhões de pessoas que acreditam que a arte possui outras formas de ser expressada.

http://www.petitiononline.com/13031953/petition-sign.html

A partir de hoje entra em circuito, no Museu da Casa Brasileira, a exposição multimídia “Os Segredosdos Códigos de Leonardo Da Vinci”. A intenção é mostrar os detalhes das anotações deixadas pelo pintor e inventor italiano. Além disso, existem modelos em 3D de alguns dos projetos de Da Vinci.

Para quem se interessa pelas obras e pensamentos do famoso pintor vale a pena conferir a exposição, afinal não é uma simples junção de obras. A exposição vai além, mostra como Da Vinci imaginou e desenvolveu seus projetos.

 

“Os Segredos dos Códigos de Leonardo Da Vinci”

Museu da Casa Brasileira – Av. Brig. Faria Lima, 2705, São Paulo

Data: 16 de abril – 04 de maio, das 10 hrs às 18 hrs (abertura dia 15 de abril, às 19:30)

Preço: R$4,00 (gratuito aos domingos) 

As Coleções do Museu Nacional do Azulejo de Lisboa são a mostra da Galeria de Arte do Sesi de 8 de abril a 20 de julho. Fazem parte da exposição mais de 140 painéis que datam desde o século XVI até os dias atuais, passando pelos mais diversos estilos arquitetônicos – rococó, romântico, modernismo, pós-moderno.

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“Caça ao leopardo”, 3o. quartel do século XVII

A produção dos azulejos em Portugal assumiu caracteres de diferenciação e de formação da identidade cultural do povo lusitano. Sua fabricação seguia a tradição árabe e em sua maioria, eram utilizados de forma a completar e fazer parte da arquitetura, criando ambientes cheios e totais. O público poderá entrar em contato com itens cuja relevância não é só artística, mas também histórica. No Brasil colônia, por exemplo, os azulejos eram utilizados para inculcar valores católicos na população.

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“Composição”, de Bela Silva, 1999

A coleção abriga desde artefatos coloridos e detalhados até os monocromáticos e simples. O maior dos painéis integrava uma escadaria e chega a ter mais de três metros. Os motivos são variados: florais, religiosos, mitológicos e até geométricos. Brasões de famílias e de armas portuguesas fecham o conjunto. Alguns parecem ter sido pintados a giz de cera; exemplares em alto relevo ou com bordas recortadas são intrigantes. Além dos azulejos, fazem parte da exposição artigos de cerâmica, como vasos e pratos, e estátuas.

Painel de azulejos padrão, de Raul Lino, 1970

 Painel de azulejos padrão, de Raul Lino, 1970

Os painéis mais interessantes são os de azulejos enxaquetados – aqueles que, na repetição, formam uma imagem maior. As cores intensas usadas nas obras modernistas criam figuras sem forma definida. O Grande Painel de Lisboa, de 1700, retrata a capital e indica os pontos mais relevantes da cidade. As imagens de Camões e Fernando Pessoa, pelo artista Júlio Pomar, também chamam a atenção.

Detalhe - Fernando Pessoa, de Júlio Pomar

Detalhe da imagem de Fernando Pessoa, pelo artista Júlio Pomar

O Museu Nacional do Azulejo de Lisboa é referência na Europa, e está desde 1980 instalado no Convento da Madre de Deus.

Coleções do Museu Nacional do Azulejo de Lisboa
Galeria de Arte do Sesi, Centro Cultural Fiesp
Seg.: 11h às 20h,  Ter. a Sáb.: 10h às 20h, Dom.: 10h às 19h
Av. Paulista, 1313
 (11) 3146-7405 / 3146-7406

Em meio às comemorações do centenário da imigração japonesa no país, o Museu de Artes de São Paulo (MASP) traz, até dia 26 de abril, 1000 fotografias, 160 desenhos e 10 vídeos do artista contemporâneo japonês Tatsumi Orimoto.

A exposição “O convívio social aos olhos de Tatsumi Orimoto” é uma retrospectiva dos quarenta anos de carreira do artista, que retrata em suas obras não só traços do Japão mas uma integração entre oriente e ociedente, quebrando formalismos e inovando nas ações.

Algumas obras são realmente inusitadas. A série “Art Mama”, por exemplo, tem como personagem principal a mãe de Orimoto, vítima de Alzheimer. Em fotos e vídeos, Orimoto mostra uma ambigüidade proposital: se a doença destinaria sua mãe à exclusão social, a exposição a ressalta, repercutindo internacionalmente.

Outra série, intitulada “Bread Man”, apresenta o próprio artista (algumas vezes acompanhado) com pães amarrados em sua cabeça, interagindo com as pessoas nas ruas, em eventos e na televisão. A mãe de Tatsumi Orimoto também aparece em algumas imagens. E o pão não é mero coadjuvante: atua como um símbolo de ligação entre o oriente e o ocidente.

Outra parte interessante da exposição de Tatsumi é a performance “50 Grandmamas”, em que o artista convida 50 avós para apreciarem uma refeição tradicional japonesa. A homenagem aos idosos vem da valorização destes pela cultura japonesa.

A exposição pode ser conferida de terça à domingo, das 11h às 18h, e nas quintas até as 20h. O ingresso é R$15 (inteira) e nas terças-feiras a entrada é gratuita.

Neste final de semana ( 5 – 6/04) , quem definir a Vila Madalena como seu destino de passeio encontrará mais que a tradicional atmosfera artística que o bairro carrega consigo.

Diversos ateliês e estúdios do bairro paulistano abrirão suas portas ao público para expor seus trabalho. São mais de 65 oficinas artísticas envolvidas no projeto batizado de Arte na Vila.

Esculturas, pinturas, oficinas de grafite e luterania são algumas das opções oferecidas para o final de semana artístico da Vila. Vale a pena conferir a oficina sobre  a história e os princípios da animação, com Flavio Del Carlo, no espaço da artista Beth Lima (R. Fidalga,193). O evento acontece das 10h às 15h , com taxa de incrição de  R$30.

Na estação Vila Madalena do metrô , haverá vans gratuitas que irão percorrer aas ruas do bairro. A programação completa do evento está disponível no site www.artenavila.com.br.