Nosso blog nasceu inspirado em 1968, suas revoluções e as artes. A finíssima Fauchon, casa francesa especializada no melhor da gastronomia , também entrou na onda de celebrações dos 40 anos do maio de 1968. Amanhã, a loja lança um chá para comemorar a revolta estudantil que colocou Paris (e depois o mundo) de ponta-cabeça. A latinha fashion será vendida a 15 euros e guarda uma infusão de chá verde da China aromatizada com frutas cítricas e rosas.

Em 1970, ainda no embalo da data revolucionária, a Fauchon foi invadida por estudantes, que roubaram patês e caviar e os distribuíram aos famintos de Paris.

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A moda como forma de expressar os ideais de jovens na luta por um novo Brasil 

1968, conhecido como o ano que mudou o mundo, aflorou o sentimento de rebeldia nos jovens brasileiros que lutavam por um país melhor, mais justo. O movimento estudantil explodiu, contestando a sociedade e seus sistemas de cultura e ensino, seus costumes e estética. Essa manifestação da chamada contra-cultura também atingiu a moda, que passou a desempenhar um papel não só estético, mas também político.

A moda passou a ser utilizada pelos jovens como uma maneira de expressão das suas ideologias, uma forma de mostrar à sociedade a sua indignação com a ditadura militar. Para demonstrarem sua insatisfação com o estilo de vida burguês, passaram a adotar a aparência das classes mais pobres e roupas antes utilizadas apenas por operários, ou seja, adquiriram o jeans e a jaqueta de couro.

Os mais impacientes se rebelaram contra o estilo de vida de seus pais e adotaram o estilo hippie, sob o lema “paz e amor”. Eles abriram mão dos confortos da sociedade para viver em comunidades mais simples, perto da natureza. A moda dos hippies ficou muito marcada: as roupas utilizadas eram de diferentes épocas e países, os jeans eram bordados com flores, as calças eram de algodão e em modelo boca de sino, as camisas tinham estampas indianas e as saias eram compridas. Os adeptos do movimento possuíam os cabelos longos, não tratados e com flores espalhadas pelos fios.

As costuras eram determinadas pela aspiração da juventude, logo suas tendências mudaram, e muito. Com isso os brechós passaram a imperar, com roupas usadas e trajes típicos de outros países. A moda se tornou algo democrático e unissex, com o intuito de atender à filosofia de vida crítica e rebelde daqueles que lutavam por uma sociedade mais igualitária.

 

Já que estamos em uma “preparação” para 68, um vídeo para conhecer um pouco dos Parangolés de Hélio Oiticica.

Um vídeo, para ir aguçando a entrada em 1968.

 

“Toda revolução tem o seguinte de singular, de paradoxal: ela mobiliza as paixões a ponto de fazer alguns perder ­­– qualquer que seja o seu campo – o sentido da distinção do real e do imaginário, do possível e do impossível, e, por outro lado, libera (…) a vontade de se afirmarem e de se estabelecer uma ruptura entre o verdadeiro e o mentiroso” (Lefort, mai 68)

 

Nas próximas semanas, esse blog apresentará diversas matérias relacionadas ao panorama cultural de 1968 no que diz respeito a moda, fotografia e artes plásticas. É importante frisar que a dinâmica da produção dessa época dificilmente pode ser avaliada senão em confronto com as questões de ordem política. 68 foi uma crítica radical à fusão do indivíduo na totalidade, desejando-se de volta (se é que algum dia se teve) o privado de sua autonomia e consciência.

 

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A cultura juvenil da década de 60 é menos preocupada com a perfeição e mais voltada à espontaneidade criativa, ao impacto imediato. Tem uma dinâmica democrática-individualista e origem no aumento do poder de compra dos jovens.

Após a 2º Guerra Mundial, o desejo da moda expandiu-se a todas as camadas da sociedade. Dá-se espaço à democratização dos gostos de moda trazida pelos ideais individualistas, pela multiplicação das revistas femininas e pelo cinema. A partir dos anos 60, o estilo passa a conceber roupas com um espírito mais voltado à novidade, à audácia, à juventude.

O estilo jovem, desafeiçoada ao vestuário de luxo, é liberto das coações. Ocorre a valorização maior da idéia do que da posição social. O ar “classe” cede lugar à ironia e ao chocante. Nada mais é proibido, todos os estilos têm direito de cidadania e se expandem nos seus modos mais variados. As mudanças de estilo da moda, no final da década de 60, ocorrem em conseqüência de uma incerteza geral quanto ao futuro e de um desejo de se rebelar.

68 marcou a abertura de um novo momento da sociedade brasileira. A crescente articulação da cultura pela via de empresas e o controle político imposto pela censura estimulam a busca de novas alternativas. A moda de 68 não tem um estilo, é uma estética, a da agressão, da resistência, da vontade de ser o que se é. Digna de 1968, sejamos francos.

 

 

“O sonho acabou; quem não dormiu num sleeping-bag nem sequer sonhou” (Gilberto Gil)

Para quem gosta de fotojornalismo, mais um trabalho de Evandro Teixeira está por aí e merece ser divulgado. Dessa vez, Evandro desenvolveu um livro motivado por esta foto que tirou durante a Passeata dos Cem Mil, em 1968.

 

 

O livro “68: Destinos. Passeata dos 100 Mil”, lançado no final de março, traz as histórias de 100 pessoas, presentes na manifestação, que foram clicadas por Evandro nessa mesma fotografia e aos poucos, identificadas.

É interessante a idéia de contar, 40 anos mais tarde, a luta desses manifestantes, o que aconteceu com eles na época e o que fizeram até hoje. E a fotografia se destaca por ser um registro histórico singular. Histórico, pois eternizou um momento marcante na história do país. Singular, porque mostra com clareza os rostos de pessoas em uma multidão. 

Quem quiser conferir mais do trabalho de Evandro Teixeira, aí vai uma seleção de fotos imperdíveis.