artes


Guilherme Canto, 24 anos, é ator e também dá aulas de teatro para o grupo TEMA, do Instituto Madre Mazzarelo. O grupo está fazendo laboratório para a montagem de uma peça sobre os sete pecados, que será encenada em dezembro.

Confira alguns trechos da aula!

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Muito trabalho, pouca diversão, alguma ansiedade e obras intensas:
seja bem-vindo ao mundo de Pulpo

As palavras “um artista multiuso” são simplórias demais para falar de Pulpo. O argentino também atende pelo nome Fernando Marcelo Hereñu e, com 31 anos, transita entre o graffiti, a animação, a ilustração e o design. O apelido, que significa polvo em espanhol, vem da destreza como goleiro que possuiu desde pequeno. Hoje, o codinome reflete a capacidade artística de Hereñu, que trafega por várias vertentes e faz muita coisa ao mesmo tempo, como se possuísse oito (ou mais) tentáculos.

Transling

As artes plásticas são o seu “momento individualista”, como ele mesmo diz. Ilustração e design, por serem tarefas mais criativas e não tanto mecânicas, são as áreas de que mais gosta. Sua produção pessoal é de imagens dramáticas e detalhadas em telas que misturam aspectos de graffiti com traços das séries animadas que via quando pequeno, como a Pantera Cor de Rosa, Tom & Jerry e Mazinger. Linhas grossas e bem marcadas, imagens surreais e impressionantes e uma palheta delimitada ao preto, branco e laranja são suas marcas registradas. “Tenho mais inquietude em relação às formas do que à palheta cromática”, explica. Ele prefere os materiais básicos, não muito sofisticados, como nanquim e canetas marcadores. No momento, seu material favorito é a tinta sintética laranja, muito fluida e viva.

Toda a subjetividade e as memórias pessoais do artista estão reveladas em visões profundas de medo, tensão, caos, sexo e realidade. O argentino vai do exagero de imperfeições dos artistas expressionistas às formas contorcidas e onduladas do art nouveau. Falar de sua arte não é uma tarefa fácil para Pulpo, mas de uma coisa ele tem certeza: é a melhor forma de expressar o que tem dentro de si, algo de que tem muita necessidade. “Seria uma perda de tempo fazer coisas que não tenham a ver comigo”, declara. “Busco inspiração dentro das minhas lembranças, sentimentos e visões de futuro”.

Tres

Autodidata, Pulpo desenha “desde que tem memória”. Uma de suas primeiras recordações são os livros de arte de sua tia Susana que mirava, atônito, no que descreve como uma “atitude masoquista”. Ele explica: “As imagens de pintura clássica sem dúvida são um tanto sórdidas, ainda mais para uma criança. Creio que não me agradava contemplá-las, mas simplesmente não podia parar”. Os artistas que mais o impressionavam eram Kandinsky e Mondrian. Das revistas da Marvel e DC Comics lembra mais das observações detalhadas que fazia das imagens do que da leitura das histórias.

“Tradicionalismos, na arte, são uma atitude esquizofrênica”, analisa. Entre os artistas atuais, os que mais influenciam seus trabalhos estão geralmente mais ligados ao mundo das revistas em quadrinhos do que ao das artes plásticas propriamente ditas, como McCracken, Kricfalusi, Gustavo Sala e o famoso Quino.

Ratononzas

Ele vive na cidade onde nasceu, Buenos Aires, no bairro de Palermo. Há três anos, namora a socióloga Josefina de Rosa, de 24 anos, que conheceu numa festa um tanto “descontrolada”. Não pôde evitar o clichê: “Me ‘enamoré’ à primeira vista”. Hoje, é com ela que ele mora e com quem mais desfruta a vida, nas suas palavras.

Formado em Desenho Gráfico pela Universidade de Buenos Aires, reside perto do estúdio em que trabalha, o da produtora de vídeo games MP. Um dos quatro sócios da produtora, sua função é a de encarregado da criação. Diversão, para Pulpo, é uma palavra que poderia “tirar de seu dicionário”. É difícil se encontrar com os amigos, que são, na maioria, ligados ao mundo da arte. “Me custa muito conviver com gente que tenha uma vida muito diferente da minha ou cuja única motivação seja o dinheiro”, diz.

Worm Hamburguers

Entre 2001 e 2005, Pulpo trabalhou como desenhista para web e publicidade no Cartoon Network. Nesse cargo, junto com Juan Weiss, saiu do universo infantil comum dos desenhos num trabalho para o Adult Swim, e a ocasião foi próspera ao abordar sentimentos mais ligados ao mundo adulto. “Me inspirou muito a sua maneira de passar o que se passa dentro de cada um”, ele recorda, ressaltando como compartilhar experiências e aprender com os demais sempre foi de extrema importância tanto para sua carreira como para sua arte. “Pude perceber lá que eu realmente tinha a necessidade de contribuir com algo, de contar a minha história”, ele conta.

Se sua versatilidade como desenhista lhe permite peregrinar pora vários meios, em sua arte acaba sendo quase um acidente, algo que lhe ocorre de maneira espontânea e natural. “Não é um lugar no qual faço coisas diferentes, só quero fazer o que gosto, o que sai”, define Pulpo. Sua preferência é pelas obras que realmente acrescentem algo às pessoas. “Não me interessam os desenhos meramente estéticos. O que me interessa é sempre dizer algo, entreter; para mim é claro que o mais importante é gerar conteúdo, ou seja, o desenho com uma função e não só como estética.”

Kabeza

Pulpo sente a necessidade de desenvolver algo em profundidade e é a essa empreitada que se dedica no momento. Ele não tem um estilo definido, mas isso não é problema: muito pelo contrário, ele se mantém aberto a novas experiências. Não ter um estúdio próprio lhe permite uma certa liberdade em relação a tarefas burocráticas e administrativas e também a chance de experimentar meios que desconhece. “É muito estimulante estar em diferentes meios e entender as diversas linguagens que tem o entretenimento.” Apesar de não ser fã de técnicas ou de seguir uma linha única de trabalho, quando encontra um método que lhe agrada, segue adiante com ele. “Isso talvez acabe definindo um estilo”, comenta.

A visão de Pulpo sobre o Brasil é muito positiva: “Creio que, na América Latina, o cenário mais animador é o brasileiro, que é o menos contaminado pelo exterior”. A atitude de se pautar pelo que é feito no exterior não o agrada em absoluto, e ele cita, entusiasmado, Os Gêmeos como exemplo da “capacidade de gerar algo com espírito próprio”.

Dirl

O trabalho não pára – e pode ser conferido no seu Flickr. Só nesse ano, seu trabalho figurou nas revistas Zupi, sobre design, publicada no Brasil, na Juxtapoz e na Communication Arts, americanas, sobre arte e cultura. Atualmente, ele desenha para as revistas argentinas Göoo, de heterogêneo conteúdo sobre desenho, e Cavalera Comics, de quadrinhos. Para o próximo setembro, Pulpo está organizando uma exposição na galeria Arbol Motor, que está sendo montada pelo amigo Federico Etchegoyen. A idéia será mostrar uma retrospectiva de sua produção. Pulpo também vai participar do Trimarchi, o maior encontro de desenho gráfico da América Latina, a ser realizado em outubro, com cinco obras. Para o fim do ano, planeja uma exposição permanente e uma série de brinquedos de toy art inspirada em seus desenhos para a KidRobot. Ele não pode evitar mais esse clichê: está mais do que ansioso para ver a reação do público.

Essa ansiedade marca o momento de Pulpo: o argentino espera o momento de estourar, sem esquecer de suas origens e munido de uma enorme vontade de se expressar. Um “cable a tierra” – a expressão em espanhol que simboliza a ligação com o mundo terreno – é assim que ele define suas obras. A questão que fica difícil de responder é o quanto elas o definem.

A galeria White Cube, em Londres, abriga a mostra Se Hitler tivesse sido hippie, quão felizes nós seríamos? Jake e Dinos Chapman, irmãos britânicos conceituados no mundo das artes plásticas, compraram treze aquarelas feitas pelo ditador alemão entre 1910 e 1913 por 115 mil libras (aproximadamente 365 mil reais) e as recriaram. Eles pretendem vender as recriações por 685 mil libras – cerca de 2,1 milhões de reais. 

Os artistas pintaram sobre os trabalhos originais imagens suaves como corações, arco-íris, flores e sorrisos. Negaram veementemente qualquer intenção de redimir o ditador, analisando ainda que suas aquarelas não expressavam “talento”. Com as telas, Hitler teria pretendido entrar para a Academia de Artes Plásticas de Viena.

 A White Cube alegou que vai cuidar para que os quadros não parem nas mãos de adeptos do nazismo. Dê uma olhada nesse artigo na BBC de Londres sobre as idéias dos irmãos.

 1o. de junho foi um dia de perda também para o mundo das artes plásticas psicodélicas: Alton Kelley, figura-chave do movimento psicodélico dos anos 60, morreu nesse dia devido à osteoporose, na Califórnia. A contribuição de Kelley para dar a cara ao movimento hippie foi inestimável: seus cartazes com letras distorcidas e imagens surreais são o símbolo de uma época.

kelley p/ BBTHC e QMS

Kelley pelas lentes de Bob Seidemann, em 1967

Kelley fez pôsteres de shows e álbuns para bandas como Grateful Dead e The Big Brother & The Holding Company. Seu trabalho com o colega Stanley Mouse foi significativo em São Francisco. A parceria entre os dois era tão grande que já chegaram a trabalhar simultaneamente num mesmo quadro: o destro Mouse em um e o canhoto Kelley em outro.

kelley p/ BBTHC e QMS

Junto com outros artistas, Kelley fez parte da Family Dog, uma espécie de cooperativa que criava cartazes para os shows das bandas da época. O conhecido emblema de caveiras e rosas do Grateful Dead foi pensado por Kelley.

kelley p/ BBTHC e QMS

Em 1966, Kelley exclamou: “Oh, não, agora eles vão ter certeza que fumamos maconha”, após vislumbrar um cartaz que ele e Mouse tinham feito para um show do Big Brother & The Holding Company e o Quicksilver Messenger Service. 

kelley p/ BBTHC e QMS

 

Esta semana foi inaugurado nos EUA o museu Bethel Woods, que imortaliza um dos festivais de arte e música mais famosos da história, o Woodstock.

O museu foi aberto em Sullivan County, no local onde cerca de 400 mil pessoas se reuniram em agosto de 1969 para participar do festival. O espaço é dividido em três “atos”: o primeiro conta a história dos anos 60, o segundo é a história da feira de música e arte de Woodstock e o terceiro explora o que esse acontecimento significa hoje.

O termo surgiu na China. Mas a mania dos bonecos colecionáveis ganhou adeptos no Japão e logo chegou a Nova York, se consolidando em 2002 com a criação da Kid Robot – uma empresa que lucra muito com a toy art e exporta bonecos para o mundo todo.

Alguns admiradores desses bonecos costumizados afirmam que eles podem ser separados em duas categorias: peças já projetadas e modificadas posteriormente por diversos artistas ou peças únicas, feitas em edição limitada, modeladas pelo próprio artista.

Por outro lado, algumas pessoas afirmam que a pessoa só pode ser considerada artista se modelar o boneco e não simplesmente o costumizar. Mas o mais importante, o que caracteriza a toy ayt como arte, é o que a peça final deseja passar para o público consumidor. Seu valor está naquilo que ele representa. De qualquer forma, eles estão no mercado para quem desejar.

 

 

 

Alfredo Volpi (14 abril 1896 – 28 maio 1988 )

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“Grande fachada festiva” (década de 1950)

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“Mastro com bandeiras” (1965)

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