abril 2008


Nosso blog nasceu inspirado em 1968, suas revoluções e as artes. A finíssima Fauchon, casa francesa especializada no melhor da gastronomia , também entrou na onda de celebrações dos 40 anos do maio de 1968. Amanhã, a loja lança um chá para comemorar a revolta estudantil que colocou Paris (e depois o mundo) de ponta-cabeça. A latinha fashion será vendida a 15 euros e guarda uma infusão de chá verde da China aromatizada com frutas cítricas e rosas.

Em 1970, ainda no embalo da data revolucionária, a Fauchon foi invadida por estudantes, que roubaram patês e caviar e os distribuíram aos famintos de Paris.

A dança também é uma forma de manifestação de arte. A pessoa que dança pode não saber pintar um quadro, fazer uma escultura ou fotografar maravilhosamente, mas sente na alma aquilo que quer passar para seu público. E passa, através da linguagem corporal, toda essa emoção.

Essa forma de fazer arte ganha cada vez mais espaço no estado de São Paulo; no começo desse ano foi criada a SPDC, São Paulo Companhia de Dança, que conta com 37 bailarinos. Isso valoriza os bailarinos e o universo da dança, como arte!

O sucesso da dança está presente entre o público também. No domingo passado, fim de semana da virada cultural, o grupo Ballet Stagium se apresentou em um palco no Vale do Anhangabaú e contou com a presença de inúmeras pessoas.

 

Eu acredito, sim, que existem diversas formas de se expressar artisticamente. Não acho que é arte apenas a pintura enquadrada. Vejo muita arte no dadaísmo de Duchamp, nos Parangolés de Hélio Oiticica, nas fotos de Sebastião Salgado. Mas também acho que para tudo tem limite.

É por acreditar que mesmo a arte deve ter limites que me revoltei quando soube da exposição do costa-riquenho Guillermo Vargas Habacuc, que deixou um cão morrer de fome e sede numa exposição. Revolto-me ainda mais agora ao saber que esse “artista”quer repetir sua façanha na próxima Bienal de Artes Centroamericana Honduras 2008.

Não digo que me revolto por achar que a morte não possa ser tema para arte. Morrer, como tudo aquilo que é natural (e também sobrenatural) pode, sim, ser expressado artisticamente. Porém há formas e formas. Deixar um animal morrer gradualmente num exposição, para que todos vejam seu sofrimento, para mim possui outro nome: impassividade.

 Muitos podem dizer que louco mesmo é o artista alemão Gregor Schneider, que quer encontrar um doente terminal que esteja disposto a morrer publicamente em uma exposição. Também concordo que uma pessoa assim não é normal, e acharia repugnante que deixassem que um ser-humano morresse assim, aos olhos de todos. Mas acredito que entre Gregor e Guilhermo há uma diferença: se Gregor conseguir essa façanha, é porque, em tese, algum doente aceitou. Existe aí o livre-arbítrio. Agora os cachorros que Guilhermo Vargas quer deixar morrendo em suas “obras de arte” não tiveram escolha.

 Assim, coloco-me no direito de deixar, nesse blog, o endereço para que as pessoas assinem a petição online que pede que Guillermo Vargas não repita o mesmo ato e deixe outro cão morrer publicamente. Não sei se conseguiremos. Mas, pelo menos, fica assim registrada a revolta de milhões de pessoas que acreditam que a arte possui outras formas de ser expressada.

http://www.petitiononline.com/13031953/petition-sign.html

 

Há 14 anos, a Vanity Fair dedica uma de suas edições ao fantástico mundo de Hollywood. Em 2008, Fevereiro foi o mês para a cidade do cinema seu momento nas páginas da revista.
A edição é imperdivel e quase faz você realmente querer gastar quase 15 reais sem dor no bolso e no coração, especialmente por conta do ensaio fotográfico principal. Tema? Ladies an Gentlemen, Alfred Hitchcock!
Diversas estrelas de Hollywood como Charlize Theron e Marion Cotillard, ganhadora do oscar de melhor atriz em “Piaf”, toparam reencenar as mais célebres cena do terror macabro do SR.H para as lentes para os principais fotógrafos da revista. Resultado? Melhor impossivel.

Charlize Theron, em “Disque M para Matar”

 

Jodie Foster em ” Os pássaros”

 

Marion Cotillard, em “Psicose”

São 11 fotos de diferentes filmes e no site da revista você pode conferir os cliques atuais e os stills que deram origem a estes. Jim Windolf fornece uma visão primorosa dos bastidores do ensaio ( em inglês)em homenagem ao mestre do terror, que também é imperdível. E pra quem gosta de conferir o making off, o site também disponibiliza o video das seções de fotos. Gaste uma parte do seu tempo  e alguns bits da sua conexão e confira.

Eu sempre fui um tanto quanto alheia a essa febre dos cristais Swarovski. Acho caro demais, ostensivo demais, e sem querer ser chata, mas acho as pulseiras parecidas com aquelas vendidas na 25 de Março, bem das baratinhas.

Mas agora a grife conseguiu me surpreender.

A Swarovski lançou uma linha de peças produzidas com as pedras preciosas. Vestidos, roupas de praia, e até soutiens ganharam o charme dos cristais coloridos e, de quebra, um novo ar bem glamuroso.

A apresentação foi em Mumbai, na Índia, mostrando que a grife sabe combinar estilos. Quer mais cor e brilho que os saris, jóias e a estética indiana ?  Alguns soutiens ganharam correntes de ouro, dignas de qualquer Marajá.

Swarovski finalmente ganhou meus olhos. Mas ainda preciso me esforçar muito para eles ganharem o meu bolso.

Desfile em Mumbai

“É impossível passar os olhos por qualquer jornal, de qualquer dia, mês ou ano, sem descobrir em todas as linhas os traços mais pavorosos da perversidade humana […] Qualquer jornal, da primeira à última linha, nada mais é do que um tecido de horrores. Guerras, crimes, roubos, linchamentos, torturas, as façanhas malignas dos príncipes, das nações, de indivíduos particulares; uma orgia de atrocidade universal. E é com este aperitivo abominável que o homem civilizado rega o seu repasto matinal”. (Baudelaire, 1860).

 

Se Baudelaire estava certo em 1860, o que dizer de hoje? Atrocidades cobrem as páginas de jornais e revistas e, nós, meros leitores passamos, muitas vezes, quase insensíveis diante da dor dos outros. Somos bombardeados todos os dias por imagens aterrorizantes de guerras e conflitos pelo mundo. No livro Diante da dor dos outros (2003),  a ensaísta norte-americana, Susan Sontag traça a evolução desse tipo de iconografia, analisando  o nível de aceitação dos horrores das imagens em relação com o subjetivismo de cada um.

O livro retoma pinturas de Goya, imagens a Guerra Civil Americana, da I Guerra Mundial, da Guerra Civil Espanhola, dos campos de concentração nazistas, da Guerra do Vietnã, até chegar às imagens do dia 11 de setembro.  Diante da dor dos outros analisa as dores da humanidade a partir da apreciação banalizada de cenas de sofrimento alheio. O livro apresenta um diagnóstico não das imagens, mas do efeito que elas causam. Discurso sempre pertinente, sejamos francos.

A moda como forma de expressar os ideais de jovens na luta por um novo Brasil 

1968, conhecido como o ano que mudou o mundo, aflorou o sentimento de rebeldia nos jovens brasileiros que lutavam por um país melhor, mais justo. O movimento estudantil explodiu, contestando a sociedade e seus sistemas de cultura e ensino, seus costumes e estética. Essa manifestação da chamada contra-cultura também atingiu a moda, que passou a desempenhar um papel não só estético, mas também político.

A moda passou a ser utilizada pelos jovens como uma maneira de expressão das suas ideologias, uma forma de mostrar à sociedade a sua indignação com a ditadura militar. Para demonstrarem sua insatisfação com o estilo de vida burguês, passaram a adotar a aparência das classes mais pobres e roupas antes utilizadas apenas por operários, ou seja, adquiriram o jeans e a jaqueta de couro.

Os mais impacientes se rebelaram contra o estilo de vida de seus pais e adotaram o estilo hippie, sob o lema “paz e amor”. Eles abriram mão dos confortos da sociedade para viver em comunidades mais simples, perto da natureza. A moda dos hippies ficou muito marcada: as roupas utilizadas eram de diferentes épocas e países, os jeans eram bordados com flores, as calças eram de algodão e em modelo boca de sino, as camisas tinham estampas indianas e as saias eram compridas. Os adeptos do movimento possuíam os cabelos longos, não tratados e com flores espalhadas pelos fios.

As costuras eram determinadas pela aspiração da juventude, logo suas tendências mudaram, e muito. Com isso os brechós passaram a imperar, com roupas usadas e trajes típicos de outros países. A moda se tornou algo democrático e unissex, com o intuito de atender à filosofia de vida crítica e rebelde daqueles que lutavam por uma sociedade mais igualitária.

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